quarta-feira, 14 de abril de 2010

DIA DO CAFÉ.

Puro, com leite, com canela, com chantilly, com chocolate e tantas outras combinações, o café é a bebida mais popular do país. Quem gosta, não abre mão dele nem nos dias mais quentes.
Uma das lendas mais aceitas e divulgadas sobre a descoberta desta planta maravilhosa, é a do pastor Kaldi, que viveu na Absínia, hoje Etiópia, há cerca de mil anos. Ela conta que Kaldi, observando suas cabras, notou que elas ficavam alegres e saltitantes, e que esta energia extra se evidenciava sempre que mastigavam os frutos de coloração amarelo-avermelhada dos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio.

O pastor notou que as frutas eram fonte de alegria e motivação e, somente com a ajuda delas, o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.

Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais a um monge da região, que decidiu experimentar o poder dos frutos. O monge apanhou um pouco das frutinhas e levou consigo até o monastério.
Ele começou a utilizá-los na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava, ou em suas longas horas de leitura do breviário.
Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida. As evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yemen.

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PETIT GATEAU DE CAFÉ

. 250g de chocolate meio amargo em pedaços.
. 1 xícara pequena de café forte e frio.
. 1 1/4 xícaras de chá de manteiga.
. 5 gemas.
. 5 ovos.
. 3/4 xícaras de chá de farinha de trigo.
. sorvete de creme para acompanhar.
Unte com manteiga e farinha de trigo, 12 forminhas com 7cm de diâmetro e reserve.
Pré-aqueça o forno a uma temperatura de 270ºC.
Numa tigela refratária apoiada sobre sobre uma panela com água bem quente, sem deixar ferver, derreta o chocolate e a manteiga, mexendo delicadamente.
Adicione o café e misture novamente.
Numa outra tigela, misture as gemas com os ovos e o açúcar. Junte o chocolate derretido com o café e a farinha aos poucos, mexendo bem.
Disribua a massa nas forminhas.
Asse por 7 mins.
Retire do forno e desenforme.
Sirva quente acompanhado de sorvete de creme.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

UMA RECEITA DE FAMÍLIA.

Mais que ensinar a fazer pratos, os cadernos de culinária contam um pouco da história de cada um, afinal trocar receitas também é um ato de contar histórias.
Ao contrário do que se pensa, os primeiros livros de receitas não surgiram em decorrência dos cadernos. Os livros vieram antes. O primeiro de que se tem notícia chama-se "Auspicius Culinaris".
Surgiu ainda na Idade Média e compreendia um conjunto de receitas reunidas por Auspicius, um festeiro e gourmet dos arredores de Roma, na Itália.
Mas o livro de receitas tal qual o conhecemos, com ingredientes, quantidades, modos de fazer e ilustrações, foi uma invenção de chefes de cozinha das cortes reais européias, cuja preocupação era conservar as normas de fazer dos manjares, para que futuros chefes de cozinha seguissem o ritmo impecável dos sabores consagrados pelas cortes.
No Brasil, os primeiros livros de receitas vieram parar aqui com a chegada da família real, em 1808, que trouxeram ainda utensílios e alguns ingredientes de cozinha. Aos poucos, a cultura européia da cozinha foi sendo adaptada às condições tropicais da nossa terra. Com o passar do tempo, os portugueses começaram a ensaiar combinações corajosas na culinária e foram adaptando ao seu sabor, ingredientes brasileiros. Na falta de trigo, tentaram usar a mandioca; no lugar da castanha portuguesa, incluíram a castanha de caju.
Apenas a partir do fim do século XIX, surgem no Brasil os primeiros cadernos de receitas propriamente ditos. Foi quando as mulheres passaram a ser alfabetizadas. As receitas, antes uma tradição oral, começaram então a ser anotadas. Tudo obra de avós ou mães que, ao arrumar o enxoval das filhas ou netas prestes a sair de casa, incluíam como item essencial um caderno repleto de receitas. Eles representam um legado daquilo que foi apreendido pelo gosto da família. A tal ponto de surgirem iguarias com nomes de famílias, algumas tão antigas quanto os clãs que lhes deram origem.
Algumas famílias guardavam a sete chaves a receita de pratos tradicionais, que às vezes levavam o sobrenome de quem os criou. É o caso do "bolo Souza Leão", por exemplo, cuja fórmula foi guardada em segredo pela família homônima, de Pernambuco, por muito tempo. Sua receita - basicamente mandioca, ovos e muito açúcar - soa como um eco do passado, dos tempos em que, nas casas grandes dos engenhos de cana no Nordeste, sinhazinhas e mucamas iam preparar o doce colocando na mesma panela receitas portuguesas misturadas aos produtos da terra, como o coco e a mandioca.
Em seu livro "Nordeste", o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre diz que essa e outras receitas demoraram a ser popularizadas. "Não só pela sua natureza complexa como pelo ciúme de sinhás donas ilustres que conservam as receitas dos velhos bolos como jóias de família", escreveu Freyre.
Com o passar dos anos, e em conseqüência do troca-troca de receitas entre famílias e amigas, elas ganharam as páginas dos jornais e revistas e viraram inclusive livros. O segredo do "Souza Leão" passou a ser, definitivamente, conhecido pelo Brasil inteiro no clássico "Açúcar - Uma Sociologia do Doce", escrito por Freyre e publicado pela primeira vez em 1939.
O popular livro de receitas brasileiro "Dona Benta", foi publicado pela primeira vez em 1940 e chegou, ano passado, a sua 76ª edição. Trata-se de uma das publicações de cozinha mais vendidas no Brasil, com cerca de mil receitas atualizadas e coletadas junto às famílias tradicionais brasileiras.
Sim, cadernos de receitas representam a memória culinária de nossas famílias, seus traços afetivos. São ferramentas para se observar a vida cotidiana do nosso passado e presente. Isso já faz dos escritos culinários, por si só, narrativas preciosas. Um patrimônio. Escritas que nos permitem olhar a comida antes de ela existir e acariciar a idéia de saboreá-la.
Mas, vale dizer, a receita de um prato jamais será uma fórmula exata para se chegar ao mesmo resultado sempre. Porque na culinária, como na vida, conta muito o que não pode ser expresso em palavras: a experiência de quem cozinha, a intuição usada na hora do saber fazer, os pequenos segredos. "Quinhentos gramas de farinha ,menos duas colheres. Depois, esticar a massa até ela ficar da grossura de um papelão", dizia minha avó, se referindo ao seu truque para que a massa do bolo-de-rolo jamais quebre em suas mãos.
Ah... só que isso não está na receita, não.

(Por Mariana Lacerda)


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Bem, como estamos tricotando sobre cadernos de receita, nada mais justo do que passar uma das minhas preferidas. Eu sou fã de bolos.
Esta receita é de minha vozinha, uma doceira de mão cheia. Infelizmente ela já não se encontra entre nós desde 1985, mas o sabor de seus quitutes permanecem vivos nas nossas mesas até hoje, graça aos tais caderninhos de receitas.

BOLO DE MANDIOCA DA VÓ MARIA.

. 1 xícara (chá) de açúcar.
. 1 lata de leite condensado.
. 5 ovos inteiros.
. 4 e ½ colheres (sopa) de margarina.
. 1 e ½ xícara (chá) de leite.
. 4 e ½ xícaras (chá) de mandioca crua ralada em tiras (500g).
. 1 e ½ colher (sopa) de fermento em pó químico.
. 4 e ½ colheres (sopa) de queijo ralado.
. 100 g de coco em flocos úmido..

Modo de preparo:

Bata no liquidificador os ovos, o leite condensado, o açúcar e a margarina.
Transfira para uma tigela e misture os demais ingredientes.
Acrescente sobre eles o líquido batido.
Mexa bem e despeje a mistura em uma forma untada.
Asse em forno pré-aquecidode 200ºC.

Agora só falta um cafezinho, hehehe.

Desconheço a autoria da foto publicada acima